O governo português confirmou na sexta-feira, 24 de abril de 2026, que entrará em vigor, em julho, um novo pacote de requisitos para concessão de vistos a cidadãos do Brasil. O país se junta à Espanha, França, Alemanha, Itália e Holanda ao adotar critérios mais rígidos de comprovação financeira, cobertura de seguro, tempo de espera consular e sistemas digitais de triagem. As exigências fazem parte de uma onda de endurecimento em todo o Espaço Schengen.
As mudanças afetam diretamente turistas, estudantes, nômades digitais e brasileiros que buscam reunificação familiar na Europa. A medida entra em vigor progressivamente a partir de julho de 2026.
O brasileiro que tiver viagem marcada para a Europa entre julho e dezembro de 2026 deve verificar as novas exigências com pelo menos 90 dias de antecedência. Atrasos no agendamento consular podem chegar a 60 dias em países como a Alemanha.
A principal mudança será a comprovação de renda mínima de € 1.500 por mês, acompanhada de extratos bancários dos seis últimos meses e documentos que demonstrem vínculo profissional ou contrato de trabalho.
O que está mudando?
As mudanças anunciadas não surgiram do nada, na verdade, elas integram a resposta coordenada da União Europeia ao aumento expressivo do fluxo de viajantes extracomunitários, especialmente de países da América Latina. Por isso, foi implantado um novo sistema EES (Entry/Exit System), que registra biometricamente a entrada e saída de todos os visitantes não comunitários. Só o Brasil já enviou mais de 2,1 milhões de turistas para a Europa em 2025, segundo dados da European Travel Commission. Os brasileiros serão os mais afetados pelas novas regras.
O registro biométrico de entrada e saída (EES) começará a funcionar em fases ainda em 2026. Todos os viajantes fora da União Europeia vão precisar fornecer impressões digitais e fotografia. Os que viajam a negócios, o impacto será bem maior.
Os especialistas estimam que o tempo médio para obtenção de visto de residência em Portugal poderá dobrar, passando de quatro para oito semanas. Os custos com traduções juramentadas, legalização de documentos e seguros internacionais mais completos deverão pesar no orçamento.
Empresas que transferem funcionários para projetos de TI ou engenharia em solo português precisarão rever cronogramas e orçamentos. Especialistas aconselham a iniciar o processo com pelo menos três meses de antecedência e manter um dossiê financeiro claro—comprovantes de salário, contrato, declarações de imposto e, quando possível, cartas-convite da empresa europeia.
O visto de turismo de curto prazo (até 90 dias) continua isento, mas autoridades alertam que o controle de fronteira será mais rigoroso. Inconsistências de informação poderão impedir a entrada no país.
Os consulados portugueses em São Paulo, Rio e Brasília já registram aumento na fila para agendamento. Agentes de mobilidade corporativa recomendam que RHs criem check-lists padronizados e negociem prazos de mobilização mais flexíveis com seus clientes europeus. Quem perder o timing poderá ter de adiar projetos para 2027 ou transferir equipes para outros hubs do continente.




















