Todo mundo que pensa em ir morar na Europa se concentra mais em conseguir visto, opções de emprego e também em alugar uma casa ou apartamento, no entanto, esquecem de organizar suas finanças, esse detalhe também é muito importante.
No Reino Unido, dois em cada cinco expatriados (40%) apontam os altos custos como uma das principais preocupações ao planejar a mudança — quase o dobro da média global, de 25%. Mas, para surpresa de muita gente, nenhum país europeu figurou na lista dos 10 melhores destinos para expatriados em termos de finanças pessoais na pesquisa Expat Insider de 2024. Isso demonstra que planejar as finanças com antecedência pode fazer toda a diferença antes de mudar para a Europa.
Seu dinheiro na Europa
Antes de mais nada, você deve planejar suas economias e verificar os requisitos de visto. Talvez seja necessário, para você poder solicitar o visto, comprovar que possui fundos suficientes em sua conta para se sustentar. Cada país tem suas próprias regras sobre recursos financeiros, e o valor que você precisa demonstrar pode variar dependendo do tipo de visto.
Por exemplo, em Portugal, para solicitar o Visto de Nômade Digital, será preciso comprovar renda mensal estável de pelo menos € 10.000 em economias pessoais. Para o Visto de Busca de Emprego, a exigência é menor: é preciso demonstrar que possui recursos equivalentes a três meses do salário mínimo português, fixado em € 920 por mês em 2026.
Na Alemanha, o Visto de Freelancer geralmente exige comprovação de economias próximas a € 10.000. No Reino Unido, o Visto de Trabalhador Qualificado exige um mínimo de £ 1.270, mantido por pelo menos 28 dias consecutivos.
Uma das maiores preocupações de alguns países europeus é ter certeza de que o estrangeiro terá condições de se sustentar sem depender de assistência pública. Uma boa regra geral é pegar o valor que você acha que vai precisar para morar no exterior e tentar dobrá-lo. Ter algum dinheiro guardado pode te ajudar a se estabelecer no país que você escolheu para morar, dentro do seu limite.
Custo de vida sem mistério
Viver na Europa pode ser bem melhor do que nos Estados Unidos ou em outros países, mas lembrando que tudo depende do lugar que você escolheu para morar. Por exemplo, uma pessoa solteira que deseja morar na Espanha terá um gasto entre € 700 e € 800 por mês, sem incluir o aluguel. Em Munique ou Viena, as despesas diárias se aproximam de € 1.000. Não se esqueça de que esses valores são apenas estimados.
Nestes países, o aluguel é uma das suas maiores preocupações, pois seus valores costumam ser elevados. Em Paris, por exemplo, o valor do aluguel de um apartamento com apenas um quarto pode chegar a € 1.200 ou € 1.600.
Se escolher a cidade de Madri para morar, pode ter que pagar um aluguel em torno de € 1.368. Já em Amsterdã, um apartamento de um quarto no centro da cidade pode custar cerca de € 2.040. Em alguns casos, será preciso pagar um depósito e alguns meses de aluguel adiantado, então não esqueça de incluir isso no seu orçamento também.
Conta em banco
Procure saber como funciona o sistema bancário do país que você escolheu para morar. Neste caso, abra uma conta multimoeda. Como parte do seu planejamento financeiro de um expatriado, é essencial definir suas opções bancárias antes de se mudar para a Europa.
Muitos expatriados decidem começar a utilizar um serviço digital como o Wise ou o N26, já que eles permitem manter saldos em diferentes moedas e convertê-las com taxas baixas. Isso pode ser especialmente útil se você ainda recebe em sua moeda local ou precisa comprovar que possui euros para atender às exigências do visto.
Abrir uma conta bancária local na Europa é algo que muitos expatriados deixam para depois, e isso não tem problema. Principalmente porque os bancos tradicionais geralmente exigem comprovante de endereço, visto e, às vezes, um número de identificação fiscal ou certificado de registro, que você pode não ter até estar totalmente estabelecido.
Aprenda o básico sobre tributação e como evitar a dupla tributação
Tributação é um desafio para expatriados — e, no caso dos EUA, a obrigação de declarar imposto continua mesmo fora do país. Você deve lembrar que morar em outro lugar não te livra de pagar impostos. Cidadãos americanos precisam declarar imposto de renda todos os anos, mesmo vivendo no exterior há muito tempo.
Para evitar que você pague impostos duas vezes sobre a mesma renda ou capital, muitos países firmam acordos conhecidos como Convenções para Evitar a Dupla Tributação (CDT). Os Estados Unidos possuem esses acordos com diversos países europeus, incluindo Holanda, Alemanha e França.
Comece a construir seu histórico financeiro na Europa
Quando você já estiver morando na Europa, não pode esquecer que seu histórico financeiro não atravessa fronteiras com você. A maioria dos bancos, proprietários e credores considera apenas seu histórico financeiro dentro do seu novo país, e pontuações ou documentos de crédito estrangeiros geralmente não contam. Isso pode dificultar o aluguel de um imóvel, a abertura de contas bancárias ou o acesso a crédito no primeiro ano.
Para começar a construir um histórico financeiro local, você pode:
- Abrir uma conta corrente local quanto antes e usá-la regularmente.
- Cadastrar-se para serviços em seu nome (por exemplo, água, luz, internet).
- Obter um cartão de crédito local (mesmo com um limite baixo).
- Pagar as contas em dia e guardar os recibos ou extratos.
Mantenha sem em dia a documentação e os registros bancários do seu país atual, pois muitos bancos europeus são mais receptivos a candidatos que já residiram na União Europeia.




















