Trabalhar na Coreia do Sul deixou de ser um sonho distante para se tornar um plano concreto na vida de milhares de estrangeiros nos últimos anos. Em 30 de junho deste ano, o país oficializou a versão definitiva do visto de nômade digital da Coreia do Sul (F-1-D), trazendo mudanças que tornam o programa mais acessível para estrangeiros.
Com isso, os trabalhadores remotos estrangeiros vão poder continuar no país. Também as autoridades anunciaram regras mais flexíveis para ampliar a atratividade do programa e incentivar a chegada de profissionais qualificados.
A mudança mais significativa é o lançamento do K-Tech Pass, criado para atrair profissionais estrangeiros altamente qualificados em áreas de tecnologia de ponta. A intenção do país é flexibilizar as regras para talentos estrangeiros, com um único objetivo: acolher “2.000 dos melhores pesquisadores do mundo” até 2030.
Veja o que mudou para os candidatos estrangeiros
O K-Tech Pass agora contempla também professores universitários e pesquisadores que trabalham em institutos de pesquisa públicos e privados. Esses novos beneficiários passam a integrar o grupo já conhecido de candidatos, formado por talentos estrangeiros em áreas estratégicas como robótica, inteligência artificial, semicondutores e biotecnologia.
Os candidatos selecionados passarão por um procedimento online acelerado, com tempo de análise estimado em cerca de duas semanas, para obter o visto de residência F-2-T, sem necessidade de passar pelo processo consular tradicional. Eles também poderão solicitar residência permanente após 3 anos de residência.
Os candidatos não precisarão mais ser aprovados no TOPIK Nível 1 (Teste de Proficiência em Coreano) nem concluir o Programa de Imigração e Integração Coreana. Essa exigência de linguística, antes considerada uma barreira significativa para muitos candidatos estrangeiros, agora deixa de ser um obstáculo.
Especialistas estrangeiros não precisarão mais comprovar que conquistaram prêmios de prestígio ou figurar entre os pesquisadores mais citados, requisitos antes usados como critérios quantitativos de seleção. O governo está introduzindo um novo sistema de avaliação que permite que indivíduos altamente talentosos se candidatem, mesmo que não atendam aos critérios anteriores. A nova avaliação combinará um componente qualitativo (35%) com um quantitativo (65%).
Expatriados que concordarem em trabalhar em pequenas e médias empresas com falta de pessoal receberão 10 pontos adicionais. Os cônjuges terão acesso irrestrito ao mercado de trabalho. Pais e empregados domésticos vão poder acompanhar os profissionais estrangeiros.
Ciência abre portas para imigração rápida na Coreia do Sul
Num esforço para reter talentos globais, o governo está expandindo e facilitando significativamente suas políticas de vistos em uma ampla gama de setores, desde ciência e tecnologia de ponta até manufatura especializada e nômades digitais.
Este programa foi especificamente concebido para graduados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Para atrair mais talentos, o governo sul-coreano expandiu o seu programa de vistos K-Star (Coreia – Recursos Humanos Avançados em Ciência e Tecnologia).
O visto não só concede residência, como também abre caminho para a naturalização, embora essa opção seja reservada a portadores de mestrado e doutorado com histórico acadêmico “excepcional”. O programa K-Star abrange atualmente 32 universidades.
Foi reduzido o período de espera para residência permanente (visto F-5-S1) de 6 para 3 anos. Mas esta opção está condicionada a uma avaliação por meio de um sistema de pontos.
Os pesquisadores estrangeiros de destaque poderão ser considerados para a chamada “naturalização especial”, após análise de sua solicitação. O cônjuge receberá o status de residente (visto F-2) e autorização de trabalho irrestrita.
Estudantes estrangeiros que obtiverem uma recomendação do reitor de sua universidade poderão solicitar um visto de residência (F-2-7S) sem precisar primeiro garantir um emprego na Coreia do Sul. A exigência de encontrar emprego era anteriormente um grande obstáculo para graduados estrangeiros que desejavam permanecer no país.
Um visto mais flexível para nômades digitais
A Coreia do Sul lançou a versão definitiva de seu visto voltado a trabalhadores remotos, também conhecido como “visto de trabalho e férias”. Os candidatos com idade entre 18 e 34 anos vão poder optar por residir fora de Seul ou em regiões pouco povoadas. No entanto, vão precisar comprovar renda equivalente apenas ao Produto Nacional Bruto (PNB) per capita do país (com base no PNB do ano anterior). Já o período máximo de permanência foi estendido de 2 para 3 anos.





















