Muitas pessoas pensam em mudar de país em busca de mais qualidade de vida, e um dos destinos mais escolhidos pelos brasileiros é os Estados Unidos da América, a famosa terra das oportunidades.
No entanto, não dá para negarmos que nem todo mundo que vai para os Estados Unidos consegue “vencer” na vida e ficar incrivelmente rico. Existem aqueles que eram pobres no Brasil, se mudam para os Estados Unidos e são considerados pobres por lá.
A verdade é que a desigualdade social não é um problema exclusivo do Brasil, mas sim um fenômeno complexo e que atinge diferentes sociedades nos mais distintos países do mundo.
No entanto, claramente existe uma enorme diferença entre ser pobre nos Estados Unidos e pobre no Brasil, especialmente porque, conforme um estudo publicado pelo World Inequality Lab, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo.
Segundo o estudo chamado Relatório sobre as Desigualdades Mundiais, o Brasil é descrito como um dos países com maior desigualdade social e de renda do mundo, afirmando que existe uma discrepância absurda de renda a níveis extremos.
Logo, essa informação acaba nos fazendo questionar qual está compensando mais em 2026: ser pobre no Brasil ou pobre nos Estados Unidos. E é justamente sobre isso que vamos discutir agora.
Pobreza no Brasil x Estados Unidos
Quando pensamos em qual vale mais a pena, se é ser pobre no Brasil ou pobre nos Estados Unidos, precisamos analisar uma série de fatores socioeconômicos, governamentais e até mesmo culturais.
Além disso, é importante compreender as diferentes maneiras como a pobreza não somente se manifesta, conforme tratada em ambos os países, e como isso é refletido ao longo de sua história, através de políticas econômicas, estruturais e sociais.
Mas, para deixar mais claro qual seria a melhor opção, decidimos trazer 7 diferenças extremamente importantes que podem te responder se atualmente está sendo mais vantajoso ser pobre no Brasil ou pobre nos Estados Unidos.
Escala de pobreza
No Brasil, segundo dados do IBGE, 23,1% da população brasileira vive em situação de pobreza, enquanto quase 4% da população atualmente vive abaixo da linha da pobreza.
Já nos Estados Unidos, segundo o U.S. Census Bureau, a taxa de pobreza fica em torno de 10%, variando conforme estado e grupo social. A diferença maior é que no Brasil a pobreza é massiva e estrutural, enquanto nos EUA é menos disseminada.
Desigualdade de renda
Segundo o índice Gini, que funciona medindo a desigualdade de renda, o Brasil é um dos países com índices mais altos de desigualdade do mundo, o que pode ser traduzido com o acesso limitado a oportunidades para a população pobre.
Enquanto isso, a desigualdade de renda nos Estados Unidos é muito menor que a do Brasil. No entanto, é um problema que vem se agravando, ao qual os dirigentes do Banco Central norte-americano estão se empenhando em buscar meios de reduzi-lo.
Segurança Social
Em busca de combater a pobreza e desigualdade do país, o Brasil possui vários programas de transferência de renda, sendo o mais popular deles o Bolsa Família. No entanto, para muitos, o benefício do Bolsa Família não é suficiente para suprir as mazelas enfrentadas pelas famílias mais pobres.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o país oferece uma variedade de programas de assistência, entre eles o Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP) e o Medicaid. Mas, são programas com critérios bem rígidos para elegibilidade, com o agravante do estigma social que limita o sucesso desses programas.
Segurança no trabalho
No Brasil, encontramos o setor informal em franco desenvolvimento, sendo uma das principais fontes de emprego para a população mais pobre, deixando clara a falta de proteção trabalhista, oportunidades e segurança de renda.
Já nos Estados Unidos, o emprego informal possui índices baixíssimos, e a maior parte dos trabalhadores possui empregos formais. No entanto, costumam enfrentar instabilidade no emprego e possuem poucas proteções trabalhistas.
Moradia
Enquanto no Brasil, a pobreza urbana é exemplificada com as favelas, deixando clara a falta de moradia digna para os pobres, nos Estados Unidos, a pobreza com relação à habitação se mostra com a falta de moradias acessíveis, com números altíssimos de despejo.
Saúde e educação
Esse é um dos pontos mais sensíveis a se tocar, mas a desigualdade no acesso à saúde e educação de qualidade é um grande problema. Enquanto ricos possuem bons planos de saúde com hospitais de altíssimo nível, o pobre precisa enfrentar filas, demora no atendimento e precariedade dos serviços públicos.
Nos Estados Unidos, o sistema de saúde é caro e inacessível para muitos cidadãos que não possuem seguro adequado. Já a educação é um grande diferencial, com a educação básica tendo qualidade significativamente mais alta que a do Brasil.
Violência e segurança
A segurança pública é um dos temas mais preocupantes para a população, com pessoas de todas as origens afetadas, independentemente da classe econômica. No entanto, é uma situação ainda mais crítica para pessoas pobres, especialmente em favelas e áreas urbanas.
Enquanto a criminalidade no Brasil é ligada a diferentes fatores, nos EUA ela está diretamente associada à pobreza. Já a violência é baseada em alguns fatores específicos, como desigualdade de renda e raça.
Vale mais à pena ser pobre no Brasil ou EUA?
Essa é uma pergunta dura, mas muito importante. A resposta poderia ser um “depende”, mas em termos materiais e de oportunidades, ser pobre nos Estados Unidos tende a ser menos pior que ser pobre no Brasil.
Pegando alguns dados, a linha de pobreza nos Estados Unidos é de cerca de 15 mil dólares por ano por pessoa, enquanto no Brasil é de cerca de R$ 665 por mês.
Isso significa que o pobre norte-americano tem uma renda maior que o pobre no Brasil, além de ter um poder de compra extremamente elevado quando comparado. Deixando um ponto para os EUA.
Além disso, programas como o SNAP garantem a alimentação mínima nos Estados Unidos, onde a fome extrema é algo raro, embora no Brasil ainda exista a fome estrutural, especialmente no Norte e Nordeste. Lembrando que no Brasil a população também tem uma dependência maior por programas sociais.
Outro ponto que acaba sendo mais vantajoso para os Estados Unidos é o emprego. Isso porque, enquanto no Brasil a informalidade cresce, nos EUA, mesmo os empregos mais simples pagam mais e permitem alguma mobilidade.
Por fim, tanto a segurança quanto a educação acabam sendo mais vantajosas nos Estados Unidos do que no Brasil. Em resumo, nos EUA, o pobre tem mais renda, mais consumo e mais oportunidades que o brasileiro.
No entanto, a pirâmide se inverte quando falamos de saúde, já que no Brasil temos o SUS que garante atendimento universal, mesmo com filas e uma qualidade bem desigual.
Já nos EUA, sem seguro, uma simples emergência pode gerar dívidas praticamente impagáveis, dando um ponto para o Brasil em relação a pobreza em comparação com os Estados Unidos.




















